Qual é a sua relação com Exú?

Num momento de descontração, ao conversar com uma amiga querida, escutei a seguinte frase: “Deus é mesmo maravilhoso! Uniu duas pessoas tão diferentes… eu, que sou mensageira dos anjos, e você, que trabalha com essas coisas do diabo!”. É claro que ela se referia ao trabalho com os Exus na Umbanda. E devo frisar que essa frase, da forma como foi dita, não soou como ofensiva. Saiu naturalmente da boca de uma pessoa super do bem e bastante esclarecida… tanto que comecei a rir diante de tal indagação, e passei então a explicar-lhe que Exu não é demônio, não. Exu é um trabalhador a serviço da Luz, nas Trevas. É como a “polícia” do astral. Ela então se desculpou e disse que a maioria das pessoas são ignorantes com relação a isso, acreditando, de verdade, que Exu é algum tipo de manifestação demoníaca.

Às vezes ficamos tão centrados nas atribuições dos nossos terreiros que esquecemos que muito do preconceito externo não é decorrente de uma mente estreita ou de maldade, mas simplesmente de falta de informação. É bem verdade, inclusive, que mesmo dentro da nossa religião há os que se apegam a Exu como aquele que irá “dar um jeito” em seus desafetos, e apregoa isso aos sete cantos. Em minha opinião, isso é apenas mais um desserviço de umbandistas menos avisados.

 

Exu é um agente cósmico indispensável para o equilíbrio energético, vibracional e espiritual de todos.  É executor da Lei Divina, sem conotação de bom ou de ruim, por isso muitas vezes incompreendido. Tanto os Exus quanto as pombagiras de trabalho são espíritos humanos que de acordo com a Lei Divina já se encontraram no embaixo para a compreensão e expurgo de seus males, e que depois de muita luta e de muito sofrimento tiveram a oportunidade de trabalhar a serviço do Pai Maior auxiliando-nos em nossas destemperanças e descaminhos. Assim, e com a função de cumprir a Lei Maior, o aspecto especular de Exu muitas vezes “põe para fora” todos os anseios e os sentimentos torpes ou desalinhados dos seus médiuns, com o intuito de esgotá-los. Apresenta-se de acordo com a expectativa da sua “audiência”, considerando-se aqui como audiência tanto a Assistência que vai ao terreiro em busca de auxílio, quanto o próprio corpo mediúnico. A verdade é que Exu nos ensina o tempo todo. Por meio dele conseguimos nos afastar de um inferno consciencial. Quanto mais entendemos as suas mensagens, seja pelas suas falas diretas, seja pelo que nos passa nas entrelinhas, mais beneficiados somos. Exu é protetor, guardião, companheiro. Desde que sejamos íntegros e dignos o suficiente para receber tal tratamento. Caso contrário, Exu pode parecer cruel, distante e frio. Porque ele é aquilo que precisamos que ele seja para o nosso próprio crescimento.

 

A verdade é que muitos vão aos terreiros em busca de vinganças, de amarrações, de trabalhos para prejudicar os outros, e é o que esperam de Exu. Os terreiros sérios, com dirigentes e médiuns bem informados e equilibrados espiritualmente, tais anseios não encontram guarida. A Umbanda deve fazer apenas o bem, não se prestando ao papel mesquinho de trabalhos baixos e sujos. Mas como em toda religião, é possível se encontrar locais que estão em desarmonia com os sentimentos do Alto, muitas vezes dirigidos e dominados por espíritos de pouca luz. Utilizam o nome Umbanda para legitimar práticas que não correspondem ao propósito real da religião, e assim denigrem cada vez mais a reputação dos trabalhadores sérios, os verdadeiros umbandistas.

 

Assim sendo, Exu não é mal. Mal é quem vai pedir o mal a Exu. Mal é quem faz o mal ao outro em nome de Exu. Mal é quem traz dentro de si sentimentos que o afastam dos propósitos da Luz.

Erica

 

 

Erica Camarotto
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