Reflexões para 2018

Reflexões para 2018:

Só eu pra achar que eu iria ter um ano sossegado em 2018… Exú, Iansã e Xangô, é pra termos tudo, menos sossego.
Mas tá bom… não quero sossego mesmo… quero garra, força, festa, dedicação, cansaço, comprometimento. Quero o “pau na mesa” como diz o Sr. Toquinho… não quero o morno… quero a intensidade…não quero o sorrisinho soberbo, quero dedicação. Não quero crítica, quero solução. Eu quero que todo mingau de panela desande, eu quero que cada umbigo inflame, que cada enjoo vire úlcera gástrica e cada vendaval, tempestade. Sabe por quê?
Por que no éden fantástico do meu pensamento, Exu faz festa na adversidade, Iansã dança na malevolência e Xango reina manso e firme sobre a iniquidade. Eu quero botar pra ferver no dendê! Eu quero intensidade! Eu quero a Umbanda martelando uma sinfonia sem cadência nos corações, daquelas que gera desconforto em todo mundo que está preso em seu mundinho… quero as minorias, quero os feios, quero os mal-amados, os rotos e os que não conhecem o seu potencial… quero ver todos esses num crescente insano de auto-firmeza que desestruture o que se acha reto, que desestabilize as planícies da alma dos que se têm seguros e revele a crudelidade da carne exposta à podridão que somos cada um de nós. Não quero a perfeição, porque então tudo estaria terminado… quero a Fé surgindo em mim e em todos como o oásis no deserto tórrido, como quero ter certeza de que o vendaval verdadeiramente varre, de que o fogo verdadeiramente queima, e de que a adaga não só fere, mas rasga e deixa o troféu da cicatriz pra virar história. Não é, definitivamente, um ano de quietude. É um ano de laços verdadeiros, daqueles que não precisam de senha, mas a têm. Não precisam de provas, mas as dão. Não precisam de confirmações, mas estão a cada dia reafirmando o seu propósito. Só isso. Ficou fácil, não é mesmo? Que seja um ano traduzido na fúria do fogo divino e avassalador, que tire cada um da sua zona de conforto. O confortável é o ignóbil que não está pronto para o crescimento. O seguro é o insipiente, não tem noção de que a única coisa que não é efêmera é o que é cravado na alma. E que nossa alma seja cravada com o ferro da consistência e perseverança. O resto, com o fogo vira pó. Que assim seja!

Erica Camarotto

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